Convidados

fotomeg.jpg

 CANÇÃO DA ETERNA PROCURA

Margaret Pelicano
,
Ainda procuro o meu lugar neste mundo,
meio deslocada vou levando a vida,
porém sei que aqui não é o meu lugar,
acomodo-me, é aqui que devo ficar…
Entendo que me falta meu canto,
aquele em que posso ser útil
onde a música do acalanto
sirva a algum anjo perdido ou fútil…
Vim, trabalhei, frutifiquei, mas não renasci!
Falta-me a religião apetecida,
faltam-me familiares bem afinados!
Há dias em que não estou aqui,
viajo a páramos tranqüilos e luzidios
nestes lugares, consigo dar recados!

 

Brasília – 23/01/2008
___________________♥____________________
flores.jpg.

CONFIDÊNCIAS

 

No Templo do agora eu canto hinos,
Mas rezo no Altar dos tempos idos,
Porque escuto o repicar dos sinos,
Na torre dos momentos bons…vividos.

.

Sorvo o vinho de amores que passaram,
Nas cristalinas taças da lembrança,
E nas hóstias de sonhos que findaram,
Sinto ainda o sabor da esperança.

.

Confesso à consciência, os meus pecados,
Mas não os vejo ainda perdoados,
Enquanto eu não matar os meus desejos.

.

E o coração que é um Padre devotado,
Me impôs – para que eu fosse perdoado:
- A dar, no meu amor, milhões de beijos.
 .
Sá de Freitas

Postado em 11 de fevereiro de 2008 por Tania Lemke

___________________♥____________________

.
martinez.jpg.

VIDA ÚTIL!

José Geraldo Martinez

 

     As pessoas tem a mania de dizer: “Meu tempo acabou para viver um novo amor”. Quanta inverdade neste incontido desabafo! Talvez, seja até compreensivo naqueles que já viveram tudo… viveram tudo? O que efetivamente tiveram de vida útil conjugal? Sim! Vida útil de alegrias juntos?
     Meus amigos, podem reparar! A vida útil de alegrias vividas em uma relação não passa de dez anos… Ainda que o casal esteja há vinte e cinco anos juntos ou cinqüenta, não importa!  No início, toda a luta para realizarem os sonhos esperados: casa, filhos e depois uma aposentadoria para que possam desfrutar da vida com mais alegria e paz. Alguns nem alcançam essa fase e inexplicavelmente na aposentadoria, morrem!
     Não é uma verdade? Quantos casos conhecemos assim? Quando falo de vida útil, quero dizer das alegrias vividas pelo casal… dos passeios e segredos divididos, das pequeninas coisas que não englobam filhos e casa, trabalho e compromissos. Aquelas coisas que só o casal vive e desfruta. Dançar, passear, namorar, viajar! Gastar um pouco do dinheirinho suado ganho em trinta e cinco ou mais anos de trabalhos prestados por este país. Mesmo que para tanto, seja em suaves parcelas, em uma agência de turismo. Conversando ainda outro dia com uma amiga ela me disse:
- Martinez, não tenho mais idade para amar alguém novamente.
- Que absurdo! Não tem mais idade para amar alguém novamente? Quantos anos de vida útil você teve com seu ex- marido?
- Na verdade…nunca tivemos! Passamos uma vida inteira trabalhando!
- Pois é, agora você se entrega a inutilidade afetiva? Já decretou a sua morte prematura?
- Já estou com setenta anos!
- E daí? Preste bem atenção: a nossa vida útil não passa de dez anos !
     Alguns começam precocemente, tiveram mais sorte ou azar, sei lá…
     Aguns viveram na plenitude de suas mocidades! Só que tenha você uma certeza, não passou de dez anos!
     Se cada um analisar bem o que estou falando, vai concordar! Raramente alguém manteve por mais tempo esses momentos únicos!
- Ah, meus avós e pais!
- Você tem certeza? Prestou bem atenção? Eu disse vida útil afetiva!
     É diferente de comemorar bodas de prata ou ouro, formar os filhos, aposentar-se com um razoável salário, conseguir uma casa e curtir os netos, cumprir o compromisso com o padre de ir às missas, com o pastor, à igreja…
     Não deixa de ser uma alegria, só que a bem de todos! Quanto que isto custou ao casal?
     Tiveram somados os dias juntos, dez anos de alegrias vividas? Aquela do casal, somente do casal? Dançaram, viajaram, pescaram, cantaram e se amaram à luz de qualquer luar? Fizeram um cruzeiro pelo menos em nossa costa brasileira? Usaram do cartão de crédito em benefício próprio? Reuniram os amigos pelo menos alguma vez para um lual? Cantaram em serenata em alguma janela?
     Agora vem você me dizendo que nunca teve esta vida útil e que seu tempo acabou? É tão curto o tempo querida… tão fugazes as horas!
     Dez anos é muito tempo? Há o que nunca teve dois para contar!
     Engraçado! Gasta muitas vezes cinco anos esperando a morte chegar…
     Não acha que ainda é tempo? Neste tempo que não se finda ou na verdade seria um recomeço para uma vida útil?
     Pense! Nos seus setenta anos, você poderá estar acabando de nascer!

Postado em 11 de fevereiro de 2008 por Tania Lemke

___________________♥____________________

veramussi.jpg

ONDE O SOL SE ESCONDE
 

O sol volta a brilhar…
O desejo de amar entoa um novo canto.
O amor não conhece o relógio nem as horas.
O tempo nada esquece…
No entanto, fenece o divino encanto.
Às vezes o coração chora…
São tantas e quantas as memórias.
Hoje lembra o sonho dourado
de outras eras.
Linda história do passado,
encontra o sagrado começo.
Despertando o sonho sutil
repleto de quimeras mil…
Morre inacabado… O meio,
sem endereço.
Nem mesmo o fim
fora determinado.
No além, só imaginado,
respira o ar do futuro inusitado.
Guarda no relicário do coração
todos os desejos, sem receio.
No cenário um suave enredo, sem segredo…
Mas …
Não há ninguém! A flor da saudade, aquém de mim,
perfuma o jardim de outrora…
Tão evidente, agora!
É a felicidade da emoção nascente.
É o primeiro amor,
mais uma vez silente…
Sem ti!
Ao longe…
Ouve-se a canção do amante,
onde o sol se esconde …
No próximo poente.
 .
Vera Mussi
vmussi@uol.com.br
Junho- 2007
Postado em 29 de janeiro de 2008 por Tania Lemke
___________________♥____________________

A IMPUNIDADE GERA VIOLÊNCIA

 .    
      Esta é uma frase (a impunidade gera violência) que, ao longo dos anos, já foi repetida milhares de vezes por políticos, juristas, jornalistas e mesmo pelo povo. De tanto repetir, já se tornou um carimbo cansativo, um lugar comum que, à primeira vista, não comporta mais análise. Comporta sim. Porém, atrás dela, esconde-se o medo de uma punição (a prisão)  eficaz e intimidadora.
      A extinção da impunidade implicará no decréscimo da violência, em pelo menos 80%. Então, por que não se elimina a impunidade?
      Porque isto não interessa às nossas elites, que teriam que dotar o nosso país de um ordenamento jurídico penal forte e funcional, capaz portanto de por na cadeia os membros desta mesma elite. Por isso tentam desmoralizar a prisão como pena e no lugar dela inventaram leis que são feitas para não funcionarem.
      É o que acontece hoje com as chamadas penas alternativas, que são normas escandalosas  para se garantir a impunidade, ou de bandidos, ou de pequenos infratores, que no futuro serão também, grandes bandidos.
      O autor de pequenas infrações se fosse apenado, com apenas um mês de cadeia, recuaria e não voltaria ao crime. Só a cadeia intimida.
      Porém, a nossas elites que têm tanto horror à prisão (não querem ver lá seus filhos e netos), procuram por todos os meios desmoralizá-la e, na última década vem aumentando as leis que favorecem os infratores. Sofismam com o falso argumento de que a prisão não recupera, que as nossas prisões estão lotadas e não têm conforto compatível com a dignidade humana. Ora, nenhum país do mundo recuperou bandido em prisão. Se as nossas prisões estão lotadas, a solução é construir mais cadeias e com menor custo. E se o candidato a bandido quiser ter conforto na cadeia que vá cometer o crime nos Estados Unidos ou na França, países ricos dotados de modernos presídios.
      Outro falso argumento muito utilizado: a pena deve ser pecuniária, porque interfere no bolso, a parte mais sensível do homem. Mentira. O pobre não a recolhe porque é inexeqüível e por isso a pena não o atinge. O rico paga-a sorrindo porque é sempre fixada em valores pequenos
      A cadeia tem os seus problemas. Todos, porém, podem ser resolvidos e bem administrados, com já fazem os países civilizados. Limitá-la somente aos bandidos perigosos é desculpa para não aplicá-la à imensa maioria dos criminosos que tanto infernizam a sociedade.
      A continuar assim, assistiremos ao aumento assustador da imoralidade, do cheque sem fundo, das agressões físicas, dos furtos, da calúnia, das pichações e os seus autores, sorrindo ao pagar a multa ou com deboche, brincar de prestar serviço à comunidade.
.
Dirce Mendes
Graduada em Pedagogia e Letras
Diretora de Comunicação da Agerip
Viúva, 70 anos, amando sempre a vida, as pessoas e a Deus!
Postado em 29 de janeiro de 2008 por Tania Lemke

___________________♥____________________

Comentários desativados